“quando o romance for expulso de suas almas”

Na tradução por José Baltazar Pereira Júnior de Hard Times, do Charles Dickens, publicada pela Boitempo no final de 2014, lemos, de um lado, aquela defesa, pelo narrador, do cotidiano de pessoas comuns entendido como processo de representação suficiente para dar conta de momentos altos da vida (tal como propõe Auerbach em diversos de seus ensaios sobre a constituição da literatura do Ocidente), e, de outro lado, o valor ambíguo do “romance” entendido como recurso de resistência à “existência nua” (“a bare existence“), sem o qual o burguês ou certo burguês encontra-se diante de uma “Realidade sanguinária”. Ambíguo porque é como se o romance (e o que, em Tempos difíceis, ele representa de resistência da imaginação num mundo governado pelos “Fatos”) protegesse tanto os pobres quanto os burgueses uns dos outros e, ao mesmo tempo, desse a conhecer o mínimo de uns aos outros ao representar, imaginativamente, “uma lembrança sagrada” “numa rua ordinária”.

Essa cena não passou de uma despedida apressada numa rua ordinária e, ainda assim, foi uma lembrança sagrada para aquelas duas pessoas comuns. Economistas utilitaristas, esqueletos de professores, comissários dos fatos, infiéis afetados e extenuados, tagarelas de muitos credos gastos, tereis sempre os pobres entre vós. Cultivai neles, enquanto é tempo, as máximas graças da imaginação e dos afetos, para adornar-lhes a vida que tanto precisa de adornos; ou, no dia de vosso triunfo, quando o romance for expulso de suas almas, e eles se encontrarem face a face com a existência nua, a Realidade tornar-se-á sanguinária, e dará cabo de vós.

It was but a hurried parting in a common street, yet it was a sacred remembrance to these two common people. Utilitarian economists, skeletons of schoolmasters, Commissioners of Fact, genteel and used-up infidels, gabblers of many little dog’s-eared creeds, the poor you will have always with you. Cultivate in them, while there is yet time, the utmost graces of the fancies and affections, to adorn their lives so much in need of ornament; or, in the day of your triumph, when romance is utterly driven out of their souls, and they and a bare existence stand face to face, Reality will take a wolfish turn, and make an end of you.

“Pq algumas frases começam com letra minuscula?”

Poema de A Morte sem Mestre (2014), de Herberto Helder

Uma aluna por inbox:

Professor

Pq algumas frases começam com letra minuscula?

Tipo desse que vc postou

E eu, empolgadinho no domingo:

Antes de tudo, é um poema, foi publicado num livro de poemas. No Brasil, por exemplo, a partir do Modernismo, a partir de meados da década de 1920, os poetas começaram a experimentar essa liberdade em relação à norma-padrão. O Herberto Helder é português, começou a publicar na década de 1950, então ele já herdou essa liberdade das gerações anteriores. E aí cada poeta vai utilizar as minúsculas, por exemplo, com um sentido diferente. Esse poema do Herberto Helder que postei inicia com a conjunção “e”, como se o poema já fosse parte de uma frase que tivesse começado antes, antes do próprio poema, ou como se ele emergisse, irrompesse, num susto, do silêncio que antecede a leitura do poema. E de fato ele performatiza a produção manuscrita do poema, o poema feito antes do poema publicado, feito à caneta, antes de virar texto impresso na página: “a caneta esferográfica na mão”, a gente imagina. Então, nesse caso, é como se a letra minúscula fosse um indício do gesto do poeta ao escrever o poema, uma marca, o (im)próprio gesto do autor.

Essa semana um aluno comentou em sala que, a princípio, poemas em versos livres são mais chatos que poemas em versos metrificados. E eu observei que seria preciso lembrar que o poema em verso livre imanta cada sílaba de intencionalidade (mesmo que o poeta não o saiba), da primeira à última do poema, e não somente as últimas sílabas de cada verso, como no caso do poema em versos regulares; além do que não são somente as semelhanças silábicas que organizam o poema em verso livre, mas também ou principalmente as dissonâncias silábicas. É como se cada sílaba anunciasse uma rima em qualquer outro ponto do poema, e mesmo que a rima não venha, o seu anúncio torna a leitura do poema uma experiência de escuta silábica que nos torna mais falantes de nossa língua do que antes do poema. Seria possível pensar, nos termos que o filósofo Giorgio Agamben utiliza para tratar do que ele chama de institutos do poema, a rima que vem, ou o fim da sílaba. Para assim escutar no verso livre, nos termos que outro pensador cunhou, o Roland Barthes, para assim escutar o grão da voz. É como se o poema em verso livre fosse uma explosão do poema em verso metrificado, ele explode o fim do verso metrificado e compõe o poema apenas com essas ruínas, deixando a retórica sobrante do verso metrificado de fora.

Silêncio pautado

Na prévia da oficina literária no Colégio Pedro II, os estudantes foram convidados a responder uma pergunta impossível, quase informulável: por que você deseja escrever literatura? Ninguém entregou o silêncio do texto em branco, não houve, para minha decepção, quem rasgasse o papel, engolisse, pisasse, queimasse, ou se recusasse a responder tal inconsistência: as respostas se construíram com palavras, frases, texto verbal, com a prosa de quem aposta na institucionalização da inconsistência, no voo dos gestos de inscrição da letra, deslizantes sobre as pautas da página, sobre o silêncio pautado. Entre as proposições sobre literatura tiradas dos textos dos alunos do ensino médio, aquelas que pareceram ecoar a morte de Herberto Helder são:

Mariana Madureira
Mariana Madureira
Caroline da Fonseca Pereira
Caroline da Fonseca Pereira
Alexandre Carvalho Magalhães
Alexandre Carvalho Magalhães
Ana Luiza dos Santos
Ana Luiza dos Santos
Gabrielle Costa
Gabrielle Costa
Gabriela da Silva Almeida
Gabriela da Silva Almeida
Beatriz Cristina da Costa
Beatriz Cristina da Costa
Paulo Roberto Santana
Paulo Roberto Santana

Seis proposições para o próximo poema

Ao longo desse semestre, eu, Bruno Domingues e Mauricio Chamarelli vamos propor tal curso de extensão na Faculdade de Letras da UFRJ (e eu gostarei que sejam aulas de muita saúde teórica, em parceria, amizade, trabalho), sob a supervisão do Alberto Pucheu (que orienta/ou nós três):

A teoria diante do poema afeta de que maneira a sua leitura? Não a teoria sobre o poema, não a teoria do poema, mas aquela teoria que, mesmo quando não tematiza a poesia, opera seus conceitos num campo minado pela Estética. Uma teoria que, não sendo a Teoria Literária sui generis, é Teoria – como a nomeia Roberto Corrêa dos Santos. Esbarrando-a no poema, deixando seus conceitos atritarem os versos, que faíscas a leitura produz? Este curso propõe-se a uma trajetória por seis obras teóricas de base pós-estruturalista, perguntando-se a cada aula sobre os seus efeitos teóricos para o poema contemporâneo. Devir, enjambement, cesura, partilha do sensível, imagem dialética, pós-autonomia, sobrevivências, contrassexualidade: são estes alguns dos conceitos a serem elaborados durante as aulas.

Horário: Quintas-feiras, de 14h às 15h40, 6 aulas a partir de 9 de abril.
Local: sala F-221

(A fotografia de fundo do cartaz foi roubada do Marcelo Diniz.)

Rousseau: “As mulheres, em geral, não amam nenhuma arte”

A respeito das Cartas portuguesas, o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), numa carta para seu amigo, o enciclopedista Jean d’Alembert (1717-1783), num diálogo iluminista desiluminado, defende a tese de que apenas um homem poderia ter escrito tais cartas. A tradução foi gentilmente feita pelo João Camillo Penna, professor de Teoria Literária da UFRJ:

As mulheres, em geral, não amam nenhuma arte, não conhecem bem nenhuma, e não têm nenhum gênio. Elas podem realizar pequenos trabalhos que requerem apenas leveza de espírito, gosto, graça, às vezes inclusive filosofia e razão. Elas podem adquirir ciência, erudição, talentos, e tudo o que se aprenda com trabalho. Mas esse fogo celeste que aquece e acalenta a alma, esse gênio que consome e devora, essa ardente eloquência, esses transportes sublimes que levam o arrebatamento até o fundo dos corações, faltam sempre nos escritos das mulheres: eles são completamente frios e bonitinhos, como elas; eles poderão ter quanto espírito você quiser, nunca alma; serão cem vezes mais sensatos que apaixonados. Elas não sabem nem descrever nem sentir o amor mesmo. Apenas Safo, que eu saiba, e uma outra merecem ser excetuadas. Eu aposto o mundo inteiro que as Cartas Portuguesas foram escritas por um homem. Ora, onde quer que as mulheres dominem, seu gosto deve também dominar: e é isso o que determina o de nosso século.

Sobre o conceito de leitura

Compreender bem um texto não é uma atividade natural nem uma herança genética; nem uma ação individual isolada do meio e da sociedade em que se vive. Compreender exige habilidade, interação e trabalho. Na realidade, sempre que ouvimos alguém ou lemos um texto, entendemos algo, mas nem sempre essa compreensão é bem-sucedida. Compreender não é uma ação apenas linguística ou cognitiva. É muito mais uma forma de inserção no mundo e um modo de agir sobre o mundo na relação com o outro dentro de uma cultura e uma sociedade.

Luiz Antônio Marcuschi, Produção textual, análise de gêneros e compreensão, 2008 (p. 230)

Um aluno diante de uma questão de prova

Tempo e memória, de Joan Brossa

A questão nem chega a ser propriamente literária, pois o que se pede ao aluno é que, após a leitura de “Uma criatura” (que Machado de Assis publicou em 1901 no livro Ocidentais), ele reconheça no poema traços da estética do Romantismo, aproximando-o de alguma das poéticas que se sucederam ao longo das décadas do Segundo Reinado. Estamos em dia de prova e o poema não é propriamente romântico. Uma questão como essa avalia antes a compreensão histórica de uma versão da poesia no Brasil, compreensão suficientemente complexa para que o leitor proponha uma interpretação anacrônica do poema em questão, encarando a história (seja ela qual for, da literatura ou de uma vida) como um palimpsesto. É preciso lidar com os recursos que tem diante de si, em dado momento. E a dificuldade se impõe: eu entendi que o poema, ao apresentar ao leitor a Morte que é a Vida, guarda traços melancólicos do Ultrarromantismo, mas isso não está certo. Não estaria certo porque, como toda aproximação, trata-se de uma imprecisão – afinal, a composição alegórica da criatura remonta a um procedimento caro à obra de Castro Alves, portanto ao Condoreirismo, além de a monstruosidade da vida, ainda que não orgânica, antecipe a poética de Augusto dos Anjos. Como lidar com uma questão imprecisa, com um poema que aponta para todos os lados da história? É imprescindível escolher, e, como em toda escolha, haverá perdas. E, como em toda escolha, haverá um sujeito, pois haverá quem se submeta a uma condição (o sujeito é aquele que está sujeito a alguma coisa) e haverá quem aja (o sujeito não é um objeto). Assim, pouco me importou que pouco de literatura houvesse numa questão como aquela, pois para aquele aluno naquele momento, escolher responder a questão (e assim silenciar sentidos que para ele estavam claros e exigiam palavra) representou aprender que o conhecimento mais objetivo, aquele que é memorizável e quantificável, vai pelo ralo diante da necessidade de escolher. Na escola, o lugar do professor antecede o daquele que ensina o que sabe, que ensina através do que sabe. Pode ser também (o que é mais básico) o daquele que ensina apesar dos saberes. Mas, se não ensina somente o que sabe, o professor ensina mais o quê?

Os livros do século XIX

A Torre Eiffel em construção, em 15 de maio de 1888

O século XIX foi o século que Balzac e Stendhal retrataram, Flaubert criticou e Zola procurou lançar de vez na crise. É o século em que a língua russa ingressou na literatura do Ocidente: Dostoiévski e Tolstói, Tchékhov e Turguêniev, Leskóv, Púchkin, Gógol. O século em que as mulheres lançaram as cartas do romance: as irmãs Brontë, Jane Austen, Mary Shelley. O século em que se inventou a narrativa policial: Allan Poe e seu detetive Dupin, depois Conan Doyle e seu popular Sherlock Holmes. E, ao final, a ciência foi convidada a projetar futuros mirabolantes com Jules Verne. Histórias de mistério, terror, também há, de novo com Poe, mas também com E. T. A. Hoffmann. Ao fim do século, um vampiro assombra os livros, com Bram Stoker e seu Drácula. Uma baleia mudando a vida de um homem, Melville fez assim com Moby Dick, e ainda inventou um homem que preferia não seguir ordens, o tal do Bartleby. E Henry James, que escreveu tanto, e tão bem quanto Machado de Assis, que inventou a Capitu e o Brás Cubas, e enigmas que parecem explicar o Brasil para sempre. E, quase sempre exilado de sua terra, Eça de Queirós a reviveu pelos livros que fez. Foi o século em que Marx concebeu o comunismo e Bakunin o anarquismo. O século em que Nietzsche assassinou Deus a marteladas e Hegel buscou conceder à história o protagonismo do Espírito. O século em que os macacos tornaram-se mais próximos e nos vimos como animais através de Darwin. O século em que Baudelaire pôs pelo avesso a poesia, Mallarmé quis que ela, sem dizer nada, desvendasse tudo, e Rimbaud, à procura de uma língua, tornou-se comerciante na África e abandonou a poesia. E um uruguaio francês escreveu coisas terríveis sobre o homem, e tão lindas: Lautréamont. O século em que Alice foi criada por um matemático que matematizou o próprio nome: Lewis Carroll. E foram escutar as histórias que não estavam nos livros, e os Irmãos Grimm tornaram-nas livro. E surgiram Pinóquio e o Mágico de Oz. O século em que o Fausto de Goethe é publicado, e no qual Keats esteve ao lado de Byron, Shelley, Coleridge, Wordsworth ampliando a língua inglesa. O século em que Hölderlin retraduziu a Grécia e enlouqueceu. E, no silêncio de um quarto longe dos poetas, Emily Dickinson escreveu sua obra secreta. E, nos longes da senzala nasceu um poeta negro para o Brasil, o Cruz e Sousa. E nos longes de Nova York foi buscar matéria de poesia um poeta estranho para o Brasil, o Sousândrade. E os meninos que estudavam Direito em São Paulo resolveram poetar e, com medo de amar, Álvares de Azevedo nos encontrou mais melancólicos. O século em que morrer no mar foi doce encontro com o infinito de Leopardi. E esse é só um começo. É. Foi um século e tanto.

Enquanto “enquanto” não é “while”

No jornal O Globo foi publicada hoje uma notícia redigida com base em jornais de língua inglesa: Viúvo acha bilhete que mulher deixou antes de morrer: ‘Nós vamos nos reencontrar’. Ela conta a história de um homem que, dias depois da morte de sua esposa, encontrou no meio do talão de cheques dela um bilhete endereçado a ele tranquilizando-o caso ela morresse. E, no corpo da notícia, no último parágrafo, a gente lê:

Sem título

A última frase apresenta uma estranha coerência: Jimmy só atribuirá “um significado especial” ao bilhete “enquanto” a família não souber quando o bilhete foi escrito? Não, mas parece que é justamente o contrário: não importa “quando o bilhete foi escrito”, ele sempre será especial. O leitor precisa alterar o sentido do próprio texto para poder compreendê-lo, para poder garantir a coerência.

Essa última frase que escrevi é contraditória. É como se eu tivesse dito: o leitor precisa alterar o texto para compreender o texto. Afinal de contas, o texto é o produto das palavras que o compõem ou é o produto da coerência resultante da interação dessas palavras com o leitor? Sob qualquer hipótese, vai ser preciso admitir que há um problema na construção textual da notícia. Ao menos um ruído. Pois, mesmo que se defenda a segunda hipótese, é preciso perceber que existe uma diferença entre o atual significado do conectivo “enquanto” no português brasileiro e o uso que dele é feito nesse texto do jornal. Essa diferença obriga o leitor a alterar o sentido conhecido da palavra “enquanto” para garantir a coerência do texto. Ou seja, exige um esforço interpretativo para a compreensão de uma frase a princípio coloquial, e por isso seria possível “melhorar” o texto. Melhorar nesse contexto, quer dizer, num contexto que prevê a rápida compreensão pelo leitor de um texto objetivo. A ambiguidade do termo “enquanto”, que tem um significado no português brasileiro e outro no texto do jornal, não contribui favoravelmente para a composição da notícia.

E por que isso aconteceu? O jornalista se distraiu? Mas que tipo de distração é essa que produz uma inovação semântica na língua? O leitor pode pensar então que esse “Enquanto” é provavelmente uma tradução malfeita do conectivo “While”, do inglês. Como, em inglês, o conectivo “while” pode tanto estabelecer relação de simultaneidade no tempo quanto de concessão (como “apesar de”, “embora” etc.), o tradutor automático (mesmo que tenha sido uma pessoa que traduziu, ela o fez “no automático”) não reconheceu o sentido que “while” apresenta nesse contexto, que é o de concessão.

Graças ao Google, é fácil comprovar a hipótese da tradução automática malfeita ao ler um trecho dessa notícia veiculada quatro dias antes no Huffington Post:

Sem título

Trata-se do original inglês do parágrafo que reproduzimos antes. O que não dá para pensar é apenas: é preciso melhorar as tecnologias de tradução automática. Pois essa tradução não representa apenas um erro de tradução, e sim uma intervenção na língua, capaz de, se repetida a longo prazo, alterar o campo semântico da palavra “Enquanto”. É só imaginar quantas pessoas leram a notícia e não se deram conta de que havia um problema de coerência na última frase, apenas ressignificaram ela de modo a torná-la coerente, internalizando um novo matiz semântico de “Enquanto” sem terem consciência disso. Ou mesmo é só lembrar que existe um jornalista traduzindo ou revisando essa notícia, assinada por “O Globo com sites internacionais”, e ele simplesmente não percebeu que aquele “Enquanto” podia ser “melhorado”. Erro do tradutor automático ou consequência do contato constante com a língua inglesa pelo jornalista?

Os processos globalizados de comunicação têm como efeito colateral esse tipo de reprodução dos sistemas linguísticos, e a via não costuma ser de mão dupla. Ou seja, é possível que em algum tempo o português brasileiro produza uma significação para a palavra “enquanto” semelhante à que se encontra no “while” do inglês, mas é improvável que algo de semelhante aconteça na direção contrária, pelo menos com força suficiente para interferir num termo tão incorporado à gramática (um conectivo) da língua inglesa.

Daí a dimensão político-econômica da variação linguística, nesse caso. E daí os efeitos da tecnologia (a tradução automática de textos) na produção textual e na gramática da língua. Cabe a nós buscar reconhecer com a maior exatidão tais processos, e isso inclui o saber da gramática e ao mesmo tempo os saberes dos outros campos cruzados acerca da globalização. Reconhecer a elasticidade da língua e da cultura brasileiras, a sua posição subalterna no processo de globalização, e enriquecer-se até mesmo ou principalmente com os traumas da cultura.