O meu aluno Hiago Farias, cineasta, concorre com dois de seus curtas no III Festival Curta na UERJ: Povo Brasileiro. Um dos curtas, Unimultiplicidade, pode ser votado aqui.
Poesia, literatura e ensino
O meu aluno Hiago Farias, cineasta, concorre com dois de seus curtas no III Festival Curta na UERJ: Povo Brasileiro. Um dos curtas, Unimultiplicidade, pode ser votado aqui.
Hoje nO Globo o que há de urgente é o artigo da educadora Yvonne Bezerra de Melo, do Projeto Uerê, no Complexo da Maré, cujas proposições são, entre outras:

1. Cada sociedade estabelece seus limites do que considera violência.
2. Dos 430 alunos, cerca de 70% tiveram algum parente assassinado ou desaparecido.
3. Em áreas de conflito permanente, os bloqueios de cognição atingem proporções alarmantes. Não é à toa que nossas crianças em escolas públicas, em escolas para pobres por esse país afora, têm um desempenho muito aquém do que se poderia esperar num país com um desenvolvimento médio como o Brasil. Os dados educacionais não me deixam mentir.
4. Eu e meus professores nos vemos no desespero de acalmar crianças com convulsões, em pânico, urinando nas calças, perdendo a fala por causa dos tiros que beiravam nossas paredes.
5. Nós nos perguntamos se fazemos parte de algum projeto de país.
6. Ou se o projeto de país e de cidades como temos hoje permite que a violência grasse sem vislumbrar um fim, de modo que teremos brasileiros sem instrução de qualidade, incapazes cognitivamente e em constante dependência.
7. Se o projeto do país é esse, estimular a violência e o ‘‘não’’ à paz, tenho de reconhecer que conseguiram.
8. Tive vontade de chorar quando pensei nos 56.000 assassinatos no ano passado que os governos criminosamente ignoram.
9. Hoje, a Maré está ocupada por 1.800 homens do Exército, além de um batalhão de mais de mil homens da PM. E não há paz. Não é uma questão de números, mas de políticas públicas adequadas de combate à criminalidade, às drogas e armas.
De 1973 é o livro Menino antigo, o segundo volume da série Boitempo, onde se lê esse poema em prosa da corrosão do ser do menino que cresce:

VERBO SER
Que vai ser quando crescer? vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa: volume único. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.)
Ela envia um vídeo à guisa de cartão-postal e o vídeo é feito luz. Vem feito luz, reproduz feito luz, fez-se feito luz.
Há um ou dois meses, meus alunos Paulo Santana e Beatriz Hermes resolveram me entrevistar sobre a situação e os desejos para a educação numa pesquisa para a disciplina de Sociologia. E eu resolvi falar. E encaro esse vídeo, para além de uma entrevista, como o depoimento de um professor de uma escola pública sobre a escola pública que este professor deseja, com coisas do tipo:
Nuno Ramos, Ana Cristina Cesar, Jorge de Lima, Haroldo de Campos, Antonio Cicero, Guimarães Rosa, Jorge Luis Borges, Augusto de Campos, Roberto Schwarz, Dora Ferreira da Silva, Georg Trakl, Else Lasker-Schüller: são os escritores que essa rapaziada da Teoria Literária da UFSC e da UFRJ estudam e vão apresentar amanhã no Fundão, após a primeira aula do prof. Jorge Wolff pela manhã.
O Procad é um convênio do programa de pós-graduação em Literatura da UFSC com os respectivos programas da Unicamp e da UFRJ.
Da sorte de encontrar leitores mais do que atentos e ainda poetas porque percebem traços no que se escreve que o autor pouco suspeitava.
O lançamento de A mão, o olho: uma interpretação da poesia contemporânea será no dia 1 de novembro, às 17h, na Primavera dos Livros (Alameda João do Rio, Museu da República, Catete). Antes, às 14h, haverá uma mesa a reunir a mim, Alberto Pucheu e João Camillo Penna a respeito da literatura contemporânea no Brasil.

Nesse sábado pudemos ler no jornal O Globo uma resenha do Marcos Pasche dedicada às traduções de Márcio-André para poemas de Paul Valéry. E, pela resenha, pudemos ter a clara noção do bom debate em que se insere o livro da Confraria do Vento, a começar pela precisa introdução:
A contemporaneidade literária é o jardim das veredas que se bifurcam para se cruzarem, embolando propositadamente as direções possíveis. Em suas obras mais representativas, as categorias teóricas (de gênero, de estilo, de registro linguístico, por exemplo) não são evocadas com outra finalidade que não seja a de subvertê-las e extrapolá-las. Segundo os autores contemporâneos, em linhas gerais, aquilo que é é o que deve deixar de ser, para que limites sejam identificados e, consequentemente, ultrapassados.
Também na oficina desta quarta-feira os alunos foram provocados a sublinhar nos livros trechos que pudessem ser perturbados pelo ato de grifar. Foi Waly Salomão que no seu último livro de poemas reproduziu a página com um de seus sublinhados num livro de Ralph Waldo Emerson que dizia que language is fossil poetry. São dele, Waly, os grifos que se expõem na Biblioteca-Parque Estadual, no centro da cidade do Rio, desde a última semana. E são para ele sem o saberem os grifos que estes alunos inscreveram em alguns livros circulantes.















