O poema ao mesmo tempo

Augusto de Campos
Augusto de Campos

Há quem diga que eu não sei de nada, que ele não sabe de nada e que eles não sabem de nada. Há quem diga que o poeta se repete, há quem diga que o poeta é um gênio. Quanto a mim, fico só lendo e olhando, procurando num poema como o de Augusto de Campos, sua nova homenagem a Mallarmé, escutar como o meu olho, sem saber ler, topa com um NEO poema que, se BEM LER, escapa à leitura daquele que o lê ao vivo, letra a letra. Ao pé da letra, ali, à escuta, ninguém é contemporâneo de poema algum, que só se lê depois de ter sido lido, como poema algum se faz antes de ter sido feito. Que o espaço minguante do poema em forma de tornado tenha levado cada escritor em oficina ao olho do furacão e tenha podido legar rabiscos caligráficos para a memória de um dia na escola em cinco de agosto de dois mil e quinze, às treze horas, na sala de espelhos.

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Paulo Santana
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Síntique Vital
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Alexandre Magalhães
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Gabriela Almeida
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Júlia Moura
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Mariana Freitas

Mario é gay

Agora foi uma série de fait divers que constituem dois poemas do livro de Rodrigo Garcia Lopes, o Experiências extraordinárias, que organizou a produção da oficina de hoje, e a imaginação dos escritores marcou os nomes próprios dos outros artistas com a mancha perversa da banalidade fabricada por uma manchete de revista de fofoca. O gozo de saber-se conhecedor da vida & obra de alguns desses artistas compete, aqui, com o mal estar tão facilmente produzido por uma ou duas frases que inutilmente representam a banalidade da vida de qualquer um. No fim, sendo Mario de Andrade gay ou não, discreto ou não, assumido ou não, sendo Mario de Andrade Mario de Andrade ou não, é algo além do nome próprio Mario de Andrade o que, algum dia, pulsou num corpo e emitiu, em obras, sinais de existência. Sendo o Brasil homofóbico, e é, é bom que Mario de Andrade, póstumo, se assuma, assim como é bom que nudes de Chiquinha Gonzaga, a surdez de John Cage, a higiene do bigode de Leminski, a vida íntima de Banksy etc. venham à tona, antes tarde do que nunca, que é pra isso que serve, também, ficção: para destruir o nunca.

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ato zero_mariana freitas

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O que há em comum não é normal

Ainda frequentando o livro de Nathalie Quintane, sobre o qual veio falar o Bruno Domingues, colega e amigo, a oficina dessa vez se fez, como o fez a poeta Nathalie Quintane, imaginando um corpo congenitamente anormal, e imaginando, ainda, numa narrativa, a sobrevivência à anormalidade. Escrever é anormal. E são os incipit desses textos que aqui se podem ler, à revelia dos autores, que assinam cada frase, sob o risco de, ao imaginar o corpo anormal, encontrar-se no lugar-comum e assim, quem sabe, através da linguagem, notar que o que há em comum não é normal.

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Por que desejo escrever literatura?

A Gabriela Almeida é uma das estudantes bolsistas que participam da Iniciação Artística em poesia no Colégio Pedro II, e escreveu esse relato sobre a relação dela com a escrita. Sei bem que os alunos do Colégio não são a regra, mas muitos deles e muitos outros nos fazem repensar o discurso clichê a respeito da falência do ensino básico no Brasil. Então, se liga no estilo da garota!

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Por que desejo escrever literatura? Bom, é ótimo que tenha 20 linhas para dissertar sobre o assunto! Literatura, assim como a arte no geral, é minha grande paixão. Desde pequena, minha casa sempre foi rodeada de livros – afinal, papai e mamãe são professores de língua portuguesa. Eles liam para mim todas as noites (e não só contos de fada: havia Vinícius de Morais, Cecília Meireles e muitos outros) até eu, aos quatro anos, começar a ler sozinha.
A vontade de produzir meu próprio conteúdo surgiu cedo. Lembro-me de quando tinha seis anos e escrevi a história “A Identidade Secreta”, que coloquei em pedaços de papel e ilustrei com meu pai. Mais tarde, aos nove anos, fiz o roteiro do curta-metragem “Assalto à geladeira”, gravado com a filmadora do papai e estrelado por meu primo Thiago.
Quando as professoras do ensino fundamental anunciavam a data da prova de redação, eu entrava em êxtase (sim, eu sei, isso é meio Clarice Lispector em Felicidade Clandestina). Só não achava tão maravilhoso quando mandavam-nos escrever textos argumentativos, embora também os adorasse. Mas narrativas? Envolvia-me tanto que geralmente era a última a sair da sala. É uma pena que esse tipo de texto não seja muito trabalhado no ensino médio (um dos motivos pelos quais achei o projeto brilhante).
Eu tenho meu material literário, porém nunca cheguei a publicar nada. O máximo que fiz foi escrever para o Globinho (falecido caderno infantil do jornal O Globo), quando tinha nove anos. Como disse, literatura é minha paixão. Não escrevo visando publicar, escrevo porque amo, porque sinto prazer nisso. Critico o sistema social, falo sobre amor verdadeiro e felicidade. Amo o que faço e quero fazê-lo para sempre.

Poesia concreta e escrita dialética

POEMA NOVO NO VELHO: POESIA CONCRETA E ESCRITA DIALÉTICA, publicado na Revista Diadorim (Letras Vernáculas/UFRJ)

RESUMO

O ensaio revisita os textos de Augusto de Campos e Roberto Schwarz motivados pela publicação do poema “pós-tudo (1984)”, procurando confirmar a hipótese de que o processo de redemocratização esteve vinculado a uma revisão da atitude vanguardista nas intervenções de Augusto de Campos no campo cultural, acompanhando à sua maneira a iniciativa de seu irmão, Haroldo de Campos. A leitura do poema empreendida por Roberto Schwarz seria, para além da sua atitude polêmica, uma estratégia de deslegitimação cultural de tal mudança de postura, de modo a preservar a interpretação do poema “pós-tudo” de acordo com os princípios estilísticos da poesia concreta, e assim flagrar-lhe uma nota de atraso cultural. Por fim, o debate trouxe à tona, a nosso ver, dois projetos estilísticos para a cultura brasileira, um fundamentado na prosa de Machado de Assis, e o outro, na crença (não sem ironia) no valor utópico das semelhanças casuais entre os significantes da língua, reformuladas poeticamente pelos procedimentos advindos da poesia concreta. Sem residir nem em um nem em outro, o Brasil – se puder ser nomeado – parece oscilar entre os projetos e descansar em seus intervalos.

PALAVRAS-CHAVE: poesia concreta; escrita dialética; pós-tudo.

Dois post-its online: Bataille, Débord

Trecho de A vontade do impossível, de Georges Bataille (1897-1962), traduzido por Fernando Scheibe, seguido de trecho de All the King’s men, de Guy Débord (1931-1994), traduzido por Emiliano Aquino.

A poesia não é mais que um desvio: escapo por ela ao mundo do discurso, ou seja, ao mundo natural (dos objetos): entro por ela numa sorte de túmulo onde, da morte do mundo lógico, nasce a infinidade dos possíveis.

O mundo lógico morre parindo as riquezas da poesia, mas os possíveis evocados são irreais, a morte do mundo real é irreal; tudo é suspeito e fugidio nesta obscuridade relativa: nela posso zombar de mim-mesmo e dos outros. Todo o real é sem valor, e todo valor é irreal. Daí essa fatalidade e essa facilidade de deslizamentos em que ignoro se minto ou se estou louco. Dessa situação pegajosa procede a necessidade da noite.

SCHEIBE, Fernando (Tradutor). A vontade do impossível, de Georges Bataille. Crítica Cultural – Critic, Palhoça, SC, v. 9, n. 2, p. 335-338, jul./dez. 2014.
Guy Débord

A poesia é cada vez mais claramente, enquanto lugar vazio, a antimatéria da sociedade de consumo, porque ela não é uma matéria consumível (segundo os critérios modernos do objeto consumível: equivalente para uma massa passiva de consumidores isolados). A poesia não é nada quando ela é citada, ela pode somente ser desviada (détournée), recolocada em jogo. O conhecimento da poesia antiga é, de outro modo, somente exercício universitário, realçando funções de conjunto do pensamento universitário. A história da poesia é somente, então, uma fuga diante da poesia da história, se entendermos por este termo não a história espetacular dos dirigentes, mas sim a da vida cotidiana, de sua ampliação possível; a história de cada vida individual, de sua realização.

AQUINO, João Emiliano. All the King's men, de Guy Débord. poiesis trabalho & cultura [blog], publicado em janeiro de 2008.

Paul Valéry, Emily Dickinson

A célebre fotografia de Valéry em 1946, por Henri Cartier-Bresson

TEUS PASSOS | Paul Valéry

Em meu silêncio esses teus passos
Soam-me santos, compassados,
E em meu sentir, sem deixar traços,
Prosseguem calmos e calados.

Puro ser, sombra de sons mudos,
Como é suave o teu compasso!
Com que divino dom eu passo
A existir nesses pés desnudos!

Se te ocorrer ao meu escasso
Vazio aplacar o desejo
De ocupar o meu oco espaço
Com o alimento do teu beijo,

Não antecipes a ventura
De ser e não ser teu ex-passo,
Porque eu vivi essa doçura
De exercer meu ser no teu passo.

Poema de Paul Valéry (de Charmes, 1922) traduzido pelo Augusto de Campos, publicado no Musa Rara, com, como sempre, uns versos… como “Prosseguem calmos e calados”, foneticamente clássico, ou “Como é suave o teu compasso!”, que soa bem mais suave do que “Qu’ils sont doux, tes pas retenus !” com seus percussivos, pouco doces “doux, tes pas”.

O poema seguinte é outra tradução de Augusto de Campos, publicada há um ano pela revista Cult, de um poema da Emily Dickinson.

Henri Cartier-Bresson, 1951

[sem título], Emily Dickinson

A minha Vida era uma — Arma —
À Espreita — até que um Dia
Passou o Dono — e Me levou
Em sua companhia —
E agora em Selvas Soberanas —
Caçamos em Terras estranhas —
E sempre que por Ele eu falo
Ressoam as Montanhas —
Sorrio, e a luz cordial que mana
Todo o Vale irradia —
Tal uma face vesuviana
Fluindo de alegria —
E quando à Noite — Ido o Dia —
Eu velo o Sono do meu Mestre —
É mais suave do que Pluma
A Cama que nos resta —
Seu inimigo — é o meu —
Não ousa uma outra vez —
Quem meu Olho-Luz viu
Ou meu Dedo desfez —
Embora eu possa — viver mais
Maior ainda é o Seu poder —
Pois tenho só o de matar,
Sem ter o de — morrer —

Um vídeo no YouTube, um poema de Eucanaã Ferraz, o canto do cometa

FUGA

Escutei o cometa que canta
(no céu-tela de um sítio da web)
passarinho lançando-se doido
doido e cego de pedra e degelo
uma ilíada doida cantasse
de ninguém nenhum fato ou herói
sem sequer uma fibra cardíaca
cuco-meta esquecido do tempo
em mergulho que o tempo não marca
escutei o cadente tenor
pardal pardo de coma difusa
sabiá todo e só matemática
voo esquivo de pauta compacta
e confusa de teclas que nada
executa e no entanto a matéria
manivelas e cordas inventa
e gargantas e teclas descobre
no infinito do palco mais surdo
sem ouvidos e mouco de espírito
a capela e sem uma palavra
o cometa depara seu canto.

(FERRAZ, Eucanaã. Escuta: poemas. São Paulo: Comapnhia das Letras, 2015.)

Segunda parte do poema "Eis", de 'Escuta: poemas'
Segunda parte do poema “Eis”, de ‘Escuta: poemas’

Gosto de fazer listas e mais ainda de desistir delas

Nathalie Quintane, a poeta do dia de oficina Ato Zero

Bianca de Oliveira, Gabriel Bustilho, Gabriela Almeida, Júlia Moura, Luysa Eduarda, Mariana Barcelos, Mariana Freitas, Paulo Santana, Síntique Vital, Ygor Macedo, o escritores das Observações a seguir, um pastiche das Observações de Nathalie Quintane, aquelas traduzidas por Carlito Azevedo e publicadas na revista Inimigo Rumor, abrindo o número 20 da revista, o último número da revista. Será preciso, como escreveu um dos escritores, será preciso desistir das listas, desistir das listas é mais gostoso ainda que fazê-las, será preciso desistir das listas como se desiste deste poema-lista, será preciso abandonar as listas, deixá-las ao léu na web, para, antes de chegar a desistir da próxima lista, poder fazer a próxima lista, pois desistir, aprendemos hoje com um dos escritores, desistir é condição do fazer, sem desistir da lista não é possível fazer outra lista, e as listas são infinitas naquilo que listam como são infinitas as listas que listam aquilo podem listar, assim como os poemas, os poemas são infinitos naquilo que dizem e em como o dizem assim como são infinitas as possibilidades de poemas que são infinitos naquilo que dizem e em como dizem.

OBSERVAÇÕES

Quando ando descalça chego a sentir uma sensação de alívio.

Até mesmo durante um engarrafamento, percebo que os sons do engarrafamento são um concerto musical.

Quando estou nervosa, eu mordo qualquer objeto que esteja segurando com a mão.

Quase sempre acordo com um galo cantando às sete da manhã, mas ele nunca se encontra na minha casa.

Se minhas unhas estão grandes, escrever se torna uma tarefa difícil.

Quando está muito frio, sinto a pele tatuada ficar mais sensível.

Um cheiro bom fica em minha memória por horas, pois tenho somente cerca de vinte por cento do olfato desenvolvido.

Quando me olho no espelho e fito meus olhos não me lembro dos olhos de ninguém.

Meu equilíbrio é mais inteligente que eu, principalmente quando há música no ambiente.

Quando grito muito, minha garganta fica seca.

Sempre quando gozo, emito sons pela garganta.

Se eu choro, sinto meus olhos arderem.

Ao andar pela rua, às vezes olho para os meus pés para evitar tropeçar.

Sempre que bebo algo muito gelado, minha cabeça dói.

Depois de cortar as unhas dos dedos da mão, torno-me incapaz de me coçar por vários dias.

Quando penso na respiração, automaticamente interrompo a respiração e depois passo a respirar lembrando que respiro.

Sinto prazer ao abrir a geladeira nos dias mais quentes do ano.

Escrevo um poema, posso ser quem eu quiser sem deixar de ser ninguém.

Ao final do dia, antes de dormir, meus pensamentos projetam um resumo do dia.

Quando digito um poema, sinto-me como um fumante sem cigarros.

Ao acordar sempre me culpo por não ter ido dormir mais cedo.

Quando me vejo diante de um espelho vejo aquilo que os meus olhos veem.

Sempre que um caminhão de lixo passa ao meu lado prendo a respiração.

A última parte do meu corpo a ser molhada, no banho, e a cabeça.

Às vezes, ao tirar uma foto junto com outras pessoas, esqueço de sorrir.

Quando estou em pé, não consigo distribuir o peso do corpo igualmente entre meus pés, então jogo o peso do corpo sobre a perna esquerda e o pé direito fica levemente mais para frente.

Quando estou pensando, seguro o lábio inferior da minha boca com o polegar e o indicador da mão esquerda.

Se escuto música quando estou junto com um amigo, o fone de ouvido deve estar apenas no ouvido do lado em que meu amigo não se encontra.

Para passar o tempo, mexo no pingente do meu cordão e apoio-o sobre meu nariz.

Quando recebo uma mensagem no celular, espero alguns segundos antes de lê-la, mesmo que o celular esteja aberto na conversa.

Quando minhas unhas estão grandes, minha boca anseia por elas, e meus dentes roem a parte branca, que fica na ponta.

Se me importo com algo, mas tenho que fingir o contrário, dou um leve bocejo com ar de indiferença.

Às vezes, quando prendo o cabelo bem no topo da cabeça, sinto um calafrio na nuca que faz meu corpo inteiro tremer por um segundo.

Quando passo rímel nos olhos, minha boca se abre em formato de “o”.

Quando vou tirar uma selfie, minha testa se enruga.

Só consigo estudar no meu quarto deitada de bruços sobre a cama, na direção contrária à que durmo.

Às vezes, sem nenhum motivo específico, começo a tamborilar os dedos.

Quando estou atrasada para um compromisso, sinto uma inexplicável vontade de fazer xixi.

Quando entro numa biblioteca, respiro bem fundo para poder sentir o cheiro dos livros.

Quando mordo o lábio inferior da boca, às vezes sangra.

Quando mordo a tampa da minha caneta, sinto um gosto salgado.

Quando visto a mochila, sempre a penduro no meu corpo começando pelo ombro direito.

Quando como, o garfo está sempre na mão direita, mas quando corto a carne troco a faca para a mão direita.

Meus óculos caem do meu rosto sempre que tento olhar para o chão.

Gosto de fazer listas, e mais ainda de desistir delas.

Poderia ficar horas desenhando círculos.

Odeio sentir cheiro de tinta de caneta.

Reconheço que estou adormecendo quando os pensamentos e os sonhos se confundem.

Quando acordo de repente, noto que estava dormindo com a boca aberta.

Quando preciso levar todos os livros didáticos para a escola, minhas costas doem.

Percebo que, mesmo que eu estude, não consigo tirar boas notas em física.

Detesto sentir minhas unhas passando sobre a superfície de uma toalha.

Quando bebo água, às vezes inflo as bochechas e molho o lábio inferior para uniformizar a umidade dos lábios.

Na sala de espelhos, eu sou duas escrevendo.

Olhei rapidamente para o espelho e achei que meu reflexo fosse outra pessoa.

Quando não tenho palavras para usar, invento.

Num dia de calor, quando as primeiras gotas da chuva caem sinto cheiro de terra molhada.

Sinto mais frio nos braços do que nas pernas.