“Estou me sentindo Duchamp!”

Para o segundo encontro de organização da Oficinada Literária, os alunos-oficineiros foram desafiados a levar um objeto colado ao papel e nomeado com uma palavra ou expressão que não fosse propriamente o seu nome. Na saída do encontro, ouvi de uma aluna uma frase enigmática, impossível: “Estou me sentindo Duchamp!” Fiquei pasmo.

segundo encontro_peso de papel

segundo encontro_lembrança

segundo encontro_poder

segundo encontro_liberdade

segundo encontro_drogas alucinógenas

segundo encontro_casa

segundo encontro_museu

Fórum e Flaubert

Publicidade da Revista Senhor, que entre 1959 e 1964 imprimia regularmente, em tiragens para todo o Brasil, textos de Clarice Lispector, Guimarães Rosa & Cia.

Saíram os novos números de duas revistas bacanas:

O número 11 da Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea, organizadas por professores de Literatura Brasileira da UFRJ, e com textos diversos (isso que é legal nela: artigos, ensaios, resenhas, entrevistas) dedicados à literatura contemporânea stricto sensu.

O número 6 da revista Flaubert, que publica contos de gente do Brasil todo, editada de forma independente e aguerrida pelo meu colega Mariel Reis, com quem trabalho no Colégio Pedro II.

A matéria Clarice

A aula de José Miguel Wisnik, para o Instituto Moreira Salles, dedicada à Clarice Lispector.

Literatura na escola: missão impossível?

Ficha de Che Guevara nos arquivos do Dops
Ficha de Che Guevara nos arquivos do Dops

Nota de leitura ao ensaio “Literatura na escola – missão impossível?”, do prof. André Bueno

BUENO, André. A vida negada e outros estudos. Rio de Janeiro: 7letras, 2013.

Com base no preceito de Freud, de “educar para a realidade”, André Bueno fundamenta a sua proposta de ensino de literatura numa relação dialética entre literatura e sociedade, na linha da crítica consolidada pela obra de Antonio Candido. Dessa maneira, foge-se a um currículo com conceitos desconectados, pois o aluno é desafiado a compreender o processo de formação cultural no Brasil por meio da literatura. Vencendo os problemas (1) da falta de um sistema letrado forte, (2) da compreensão da literatura como privilégio, (3) da urbanização da cultura popular sem a mediação da cultura letrada e (4) da cultura de massas como referência dos valores culturais na sociedade do espetáculo, o ensaísta propõe que o currículo da literatura na escola incorpore programaticamente as tradições da canção popular e do cinema no Brasil, já que os diálogos entre poesia letrada e poesia de canção, de um lado, e entre narrativas de romances, novelas e contos, e narrativas cinematográficas é fértil em nossa cultura, de outro, contemplam o trabalho com prosa e poesia aberto às formas da cultura de massas, sem, no entanto, abrir mão de uma elaboração crítica das formas.

Machado de Assis: minidossiê

No YouTube, o melhor vídeo que conheço sobre a obra do Machado de Assis é o deste programa Mestres da Literatura, com depoimentos muito inteligentes de professores da USP sobre a obra do autor.

Um site indispensável é o machadodeassis.net, concebido pela Marta de Senna, pesquisadora da Casa de Rui Barbosa. Nele, além de uma revista acadêmica dedicada ao autor, encontram-se os romances e alguns contos de Machado anotados quanto a suas referências, alusões, citações etc. 

No endereço machado.mec.gov.br encontra-se toda a obra para download, em edições preparadas por bibliotecas ou universidades públicas.

Além disso, o Cadernos de Literatura Brasileira dedicado ao Machado de Assis, editado pelo Instituto Moreira Salles, está disponível online.

Um espaço matinal de contrassangue

Maria Gabriela Llansol em Herbais, anos 1980

Por que aceitara eu um Prémio que tantas vezes fazia sangue, a não ser por desejar criar, com tantos outros, e no espaço de nossa Cultura,
um espaço matinal de contra-sangue?
Amigos,
deixai que assim vos chame a todos, para que sejamos todos, neste momento, simplesmente humanos.
É a nossa narrativa deste instante.
Poderá ter-vos parecido estranho que eu tenha situado os meus textos na área do romance. Mas o romance, antes de ser um género literário definido,
não foi, e não continua a ser,
O nome genérico da narratividade?
Peço-vos que patenteia neste ponto de partida:
nós estamos sempre a contar coisas uns aos outros.

Maria Gabriela Llansol
“Para que o romance não morra”. Lisboaleipzig. Porto: Assírio & Alvim, 2014. pp. 126-127