No livro mais recente de Paulo Henriques Britto, “Two trees” se destaca em relação aos demais poemas.

Curtíssimo, o epigrama em oito palavras casadas em quatro duplas imita as palmeiras geminadas da foto. Vertical e duplicado como os caules, o poema introduz na imagem das árvores a imagem do casal e um problema que o tempo coloca para o casal (e para árvores assim): quando um cair, o outro também tomba.

O achado de natureza figura um princípio elementar do relaciomento a dois, sugerindo o humano como bizarria. As palavras, inclusive as do título, formam duplas simétricas em quantidade de sílabas e com rimas de começo. Rimas de começo? Também como entre casais, as palavras em dupla iniciam juntas, mas terminam diferentes uma das outras. Rimam no começo! O som inicial é o mesmo em one e will, apesar de as letras diferirem.

Os parênteses expressivos ainda sugerem alguma ironia, um falar em tom de segredo o que se vislumbra terrível e inevitável: alguém vai sucumbir antes.

Reproduzir a foto (pelo visto, tirada pelo poeta) confere força ao poema, que, nas palavras, não dá conta do valor de achado das duas árvores que cresceram amparadas uma na outra. Estão abraçadas, grudadas, cling close, sim, mas são palmeiras que se erguem definidas sobre arbustos folhudos. A foto está no fim do texto, como um mito do amor que dura mesmo sob a imaginação do seu fim, anunciado pelo trecho entre parênteses.

O futuro dos amantes está entre parênteses, essa a delicadeza do poema.