No dia 4 de dezembro de 2022, o Vestibular Estadual 2023, organizado pela Uerj, vai abordar, na sua prova de redação, o romance Não me abandone jamais (2005), de Kazuo Ishiguro. Em virtude do trabalho como professor no ensino médio e como professor em aulas particulares, desenvolvi duas propostas de redação aplicadas ao romance, que procuram imitar a abordagem da banca da prova. Sobre a escolha desse livro para a prova, propus uma análise nesse post.
Proposta 1
“Percebo agora”, disse Miss Emily, “que talvez você fique com a impressão de que foram todos mero joguetes. Sem dúvida que sim. Mas pensem um pouco. Vocês foram joguetes de sorte. Na época reinava um certo clima que não existe mais. Vocês precisam aceitar que às vezes é assim que as coisas se desenrolam neste mundo. As opiniões, os sentimentos, uma hora pendem para cá, outra hora para lá. Vocês calharam de crescer durante um determinado período desse processo.”
“Pode até ser que tenha sido uma tendência que veio e se foi”, disse eu. “Mas, para nós, é a nossa vida.”
ISHIGURO, Kazuo. Não me abandone jamais. Tradução de Beth Vieira. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. p. 318.
Miss Emily justifica a condição de vida de Kathy e seus amigos com base nas circunstâncias da época. No entanto, para a narradora, suas vidas não deveriam ser consideradas “joguetes” no país onde viviam.
A partir da leitura do romance, escreva uma redação dissertativo-argumentativa, com 20 a 30 linhas, em que discuta a seguinte questão:
O que justifica que as opiniões e os sentimentos coletivos possam pender para o controle da vida de uma parte da população?
Seu texto deve atender à norma-padrão da língua portuguesa, conter um título, além de ser inteiramente escrito com caneta, sem apresentar qualquer identificação.
Proposta 2
Ele começou a descrever seus bichos prediletos, mas não consegui me concentrar: quanto mais animado ele ficava, falando sobre suas criações, mais desconforto eu sentia. “Tommy”, eu queria dizer a ele, “você vai acabar sendo ridicularizado por todo mundo de novo. Bichos imaginários? Onde você está com a cabeça?” Só que não disse. Apenas olhei muito cautelosamente para ele e repeti várias vezes: “Mas que bom, Tommy, que notícia boa”.
ISHIGURO, Kazuo. Não me abandone jamais. Tradução de Beth Vieira. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. p. 219.
Em conversa com Tommy, Miss Lucy afirmou que os desenhos realizados por ele eram uma “prova”. Em Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro, a faculdade humana de imitar a realidade é problematizada tanto na arte quanto na ciência, pois interfere no valor das vidas dos personagens, como no caso de Tommy.
A partir da leitura do romance, escreva uma redação dissertativo-argumentativa, com 20 a 30 linhas, em que discuta a seguinte questão:
Em função do modo como imitam a realidade, arte e ciência são capazes de desumanizar as pessoas?
Seu texto deve atender à norma-padrão da língua portuguesa, conter um título, além de ser inteiramente escrito com caneta, sem apresentar qualquer identificação.