Ao escrever, como plano de aula, “Estudar escrever”, tocado pelo começo de um novo trabalho, pela memória das aulas que tenho proposto e pela leitura de Gregorio Hernández Zamora, estive como que, como estudante, assistindo as ideias que consigo formular como professor. As formas de estudar práticas sociais que formam subjetividades, como a produção textual, são distintas das práticas escolarizadas e imaginadas pela maioria dos estudantes. Além disso, as experiências de racialidade, gênero e classe social, a frequentação da internet e o trânsito pelas cidades se tornaram, a meu ver, condições para o processo de aprendizagem, pois são vividas dia a dia sob o jugo da barbárie. Que essa aula, uma conversa com um único estudante (carioca, suburbano, classe média), possa se inventar entre as linhas desse plano.
Como se estuda um verbo?
Uma prática, uma forma de convivência?
Participo dessa prática desigual?
Em que posição, projeto?
Como se lançar e publicar
quando tudo parece aparência
e a timeline está ocupada por profissionais de si?
Quem se é na cidade das telas?
A imagem da pele aponta as armas.
Com licença, há condições para gozar?
Como ler enquanto pedala?
Estudar escrever
no plural se diz
estudar-se escrever-se.