Em novembro de 2021, apresentei comunicação no excelente evento I Jornada Internacional de Poesia Visual, organizado por Anderson Gomes, Juliana Di Fiori Pondian, Julio Mendonça, Omar Khouri e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte. O evento aconteceu principalmente online e foi sediado no Centro de Referência Haroldo de Campos da Casa das Rosas, em São Paulo, e contou com apoio de Unesp e USP.
Na Mesa 17 de comunicações, apresentei parte da pesquisa que culminou no livro Poesia neoconcreta, publicado neste 2021 pela editora Azougue e organizado por mim em parceria com Renato Rezende e Sergio Cohn. Dividi a mesa com Luis Fernando Silva Sandes (“A formação artística dos poetas do concretismo paulista”) e a amiga Marina Ribeiro Mattar (“Além de Noigandres: o movimento da poesia Concreta brasileiro construído através de suas relações internacionais”).
O resumo da comunicação “Teoria da poesia neoconcreta nas trajetórias de Ferreira Gullar e Lygia Pape”, proposto para a Jornada, é o seguinte:
A publicação no Suplemento Literário do Jornal do Brasil (SDJB), em junho de 1957, do artigo “Poesia concreta: Experiência intuitiva”, assinado por Ferreira Gullar, Oliveira Bastos e Reynaldo Jardim, assinalou, sob olhar retrospectivo, o começo de uma trajetória de elaboração coletiva do que se pode nomear como “poesia neoconcreta”. Embora o “Manifesto neoconcreto” viesse a ser publicado em março de 1959 e a sua redação tenha sido motivada pelas reuniões do grupo de artistas posteriores à exposição de Lygia Clark em São Paulo, no final de 1958, as divergências de ideias no interior do movimento da poesia concreta suscitadas pelo artigo de 1957 manifestam modos diversos de conceber não apenas a poesia, como também a construção de um movimento de vanguarda. Embora se possa considerar as realizações da poesia neoconcreta em termos de invenção de formas (livro-poema, poema espacial, balé neoconcreto), gostaria de, nesta comunicação, acompanhar duas trajetórias poéticas distintas no contexto do movimento neoconcreto: as de Ferreira Gullar e Lygia Pape. Assim, a leitura do poema “FOGO”, inédito em livro e publicado por Gullar em fevereiro de 1957 nas páginas do SDJB, em comparação com os “poemas-luz” exibidos por Pape no mesmo ano em Petrópolis, põem em cena o movimento e o corpo, e a desobediência aos preceitos concretos como práticas que vão culminar no “Poema enterrado”, de Gullar, e no “Livro da criação”, de Pape, elaborados em 1960 como diferentes destinações de um movimento artístico a um só tempo multi- e interdisciplinar. Com isso, pretendemos considerar as “rupturas” promovidas pelas realizações poéticas de ambos os artistas, na época, em diálogo com a leitura de Ronaldo Brito acerca do movimento neoconcreto e em comparação com aquelas promovidas pelo grupo Noigandres durante o mesmo período.
Esta pesquisa desenvolve questões que elaborei na dissertação de mestrado e no livro A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea (Editora Oficina Raquel, 2014), e seguem paralelamente às práticas e estudos em ensino de literatura, que desenvolvo a partir da atuação como professor no Colégio Pedro II, e em poesia e natureza, suscitadas pela tese de doutorado em Teoria Literária, na UFRJ, dedicada à obra de Leonardo Fróes.
São vários e excelentes os vídeos publicados no canal de YouTube da I Jornada Internacional de Poesia Visual.