Na segunda sessão do Simpósio Temático 4 do Congresso Internacional da Abralic, nesse ano de 2021, propus a comunicação “Leitores da tela azul: literatura e distanciamento social na escola contemporânea”.
Falando a partir de 1h27min de vídeo, apresentei um relato de experiência de leitura da novela O véu erguido, de George Eliot, em quatro turmas de segunda série do ensino médio, na situação de ensino remoto durante a pandemia de covid-19.
A sessão foi composta por cinco comunicações diversas, baseadas em experiências de ensino e pesquisa em escolas espalhadas pelo país. Além disso, o simpósio apresenta professores com diversidade de perspectivas teóricas.
Esse é o resumo da comunicação que propus:
As condições de ensino-aprendizagem durante a emergência sanitária que atravessamos parecem ter reposicionado o texto literário na sala de aula, no sentido de aproximar a sua abordagem da experiência de distanciamento social e mediação tecnológica a que estão submetidos leitoras e leitores em formação. Dadas as condições de acesso via internet à escola ou aos outros espaços de formação pedagógica, as aulas de literatura puderam se defrontar com a diversidade das cenas de leitura domésticas nas casas dos estudantes, e a desigualdade no acesso ao texto literário, problema pouco enfrentado no cotidiano escolar em geral. As estratégias possíveis são diversas, no entanto defendemos uma aproximação inicial ao texto literário por adolescentes e jovens adultos no ensino médio baseada na identificação com a narrativa. Essa comunicação propõe um relato de experiência pedagógica realizada durante os meses de fevereiro a maio de 2021 com estudantes da segunda série do ensino médio numa escola pública do município do Rio de Janeiro, os quais leram a novela O véu erguido, publicada em 1859 pela narradora britânica George Eliot, em diálogo com textos da tradição literária brasileira no século XIX. A análise das crônicas de leitura elaboradas pelos alunos em dois momentos distintos da leitura da novela visa flagrar cenas de leitura diversas em situação pandêmica, e compreender a subjetividade leitora imersa na “fornalha de déficit de atenção” (Türcke, 2015) alimentada pelas mediações tecnológicas, e as “posturas com relação à fragilidade e à impotência humanas” (Nussbaum, 2015) na leitura da trajetória de Latimer, o protagonista melancólico da narrativa. A hipótese de que a literatura pode formar comunidade com a leitura pública do texto será testada nessa análise que, por fim, dialoga com o ensaio de Vincent Jouve, “A leitura como retorno a si: sobre o interesse pedagógico das leituras subjetivas” (2015).