Em geral, a narrativa policial está presente nas aulas de literatura no ensino fundamental.
Refletir sobre sua abordagem com base na indicação de livros é a proposta da segunda temporada do podcast Mil e Uma, idealizado pelo professor Jorge Marques e disponível nos tocadores de podcast.
Lembrei que o personagem Espinosa, detetive da série de livros, foi estudante do Colégio Pedro II, onde eu e Jorge atuamos como professores.
Esse personagem é xará do filósofo Espinosa: ambos procuram resolver os problemas do mundo sem recorrer a causas extramundanas. Além disso, o carioca Espinosa mora no bairro Peixoto, em Copacabana, e a cartografia desse bairro pode ser considerada retrato do personagem, como se fossem modos da mesma substância, para falar como o xará filósofo.
Também conversamos sobre a função dos prédios do Rio de Janeiro no livro O silêncio da chuva, e como a representação desses prédios se aproxima daquela presente na literatura modernista, como nos poemas de Drummond para prédios cariocas. E sobre outras coisas!
As narrativas policiais podem proporcionar diversas aprendizagens para uma criança e um adolescente, e entre elas está, a meu ver, o letramento semiótico.
Raciocinar com insistência para resolver problemas a partir de índices, símbolos ou ícones enviados por um autor (no caso, um autor de crimes), ou seja, a partir de fragmentos da realidade social, parece uma tarefa formadora da subjetividade de qualquer cidadão letrado sob a perspectiva das ciências humanas.
