Participei da live Literatura na escola, organizada pela professora Duda Quiroga para o programa Movimentando educação e cultura, no canal de youtube Iaras e Pagus, que contou com a participação do colega Diogo de Andrade, professor das redes municipais do Rio de Janeiro e de Duque de Caxias.
Conversamos sobre os lugares da literatura na escola, a autoria literária de professores e as condições do trabalho literário na carreira docente, além de, no final, nos posicionarmos sobre os efeitos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Entre outras questões, a participação na live me trouxe essa: é um desafio definir literatura na hora de abordar o seu ensino.
Tenho proposto compreender literatura na escola como prática social, seguindo a lição inicial barthesiana em O grau zero da escrita, que defende a ética do escritor pelo trabalho do estilo. A aplicação dessa ideia está relacionada, no trabalho que tento desenvolver, com a produção literária escolar.
Como Diogo de Andrade defendeu na live, a prática de narrar o cotidiano como estratégia de vínculo afetivo com estudantes consiste numa literatura oral docente, de maneira a compreender literatura em sentido amplo e misturado com o cotidiano escolar.
A posição de Diogo é mais abrangente do que aquela que costumo propor, e está relacionada com o reconhecimento da autoria literária cotidiana nas escolas, o que me parece imprescindível. Por isso, Duda conduziu o debate para a autoria docente e suas condições de trabalho.
Assim, penso que concordamos em considerar a escola uma instituição literária, assim como ela também é uma instituição geográfica, uma instituição matemática, uma instituição atlética etc.