Essa apresentação começa no pai e termina na mãe de Luiz Gama.
Sua carta autobiográfica para Lúcio de Mendonça, em 1880, retratando o pai como um “fidalgo” sem nome, é matéria para a leitura de um trecho do poema “Quem sou eu?”, publicado na segunda edição das Primeiras Trovas Burlescas de Getulino (1861). A voz antirracista do poeta, na contramão do preconceito racial brasileiro em regime escravocrata, afirma-se justa e clássica, republicana como os ideais inconfidentes (Gama admirava Tiradentes), porém “impertinente”.
Sua impertinência é marca de voz e estilo, e parece destinar a obra ao que a poeta Miriam Alves denominou, em poema que homenageia Luiza Mahin, como “aminhã”, o futuro sob a dicção dos Orixás. Luiz “aminhã”, corruptela da mãe, Luiza Mahin, é o Gama do futuro, o poeta cujo canto de grilo arranha, ainda hoje, corações colonizados.
Vídeo-aula em baixa quantidade de dados. Material didático complementar à Semana 4 da disciplina de Português na segunda série do ensino médio do Colégio Pedro II, campus Engenho Novo II, no ano letivo de 2020. Recurso educacional aberto: pode ser utilizado em outros contextos pedagógicos, desde que a autoria do material seja preservada.