
Como professor de gramática e produção textual no ensino básico, comumente preciso indicar alterações nos textos dos meus estudantes que podem ser consideradas muito simples por pessoas letradas.
Mas com o tempo aprendi a reconhecer a complexidade de corrigir o texto de um estudante — não basta dizer para alguém que a norma-padrão do português brasileiro preconiza que em geral não se pontue com vírgula o sujeito em relação ao predicado.
É preciso antes de tudo que haja vínculo entre estudante e escola, e confiança pedagógica no professor.
Daí pra frente, a coisa ainda não se resolveu, pois não é nada fácil olhar para o próprio texto e reconhecer ambiguidades ou desacordos com uma norma muitas vezes estranha e desconhecida.
Por isso, reconhecer-se como autor de um discurso falado ou escrito, atravessado por marcas pessoais, e que será lido com atenção e cuidado por leitores, que será escutado pela turma, e não apenas por professores, é um desafio elementar da sala de aula.
E também por isso a literatura, sendo a instituição por excelência da produção de autoria cultural no texto escrito, se torna um campo de trabalho fundamental para o ensino de gramática e produção textual na escola.