
O governador da Bahia, Rui Costa, abriu seu discurso de posse com “um poema que me foi enviado recentemente por um amigo como forma de incentivo”:
Sonhe com aquilo que você quer ser / porque você possui apenas uma vida / e nela só se tem uma chance / de fazer aquilo que quer
A prefeita de Campos, município do Rio de Janeiro, presenteou em novembro de 2014 a filha, eleita deputada federal pelo estado, com uma imitação de Romero Britto.
Quando, diante do gesto de Rosinha Garotinho, penso em Andy Warhol; quando a citação do governador da Bahia é atribuída à Clarice Lispector, aprendo mais que o-que-se-chama-arte não se diz de um objeto, de uma coisa, nem mesmo de um gesto por si mesmo.
Não há arte sem arte, e é por isso que não há saída a não ser, a cada vez que se a faça, destruí-la. Como é que chama o nome disso? Não há arte sem arte não quer dizer que só há arte quando há arte. Antes, quer dizer que, a cada visão (objeto, gesto) em artes visuais a visão lembra que:
Não há arte / sem arte
No enjambement que, por um relance, nega-a.