eu etiqueta

Com uma etiquetadora em punho, escrever. Com uma máquina nas mãos, escrever. Com a inabilidade de quem se acostumou às máquinas dóceis, ao computador, ao celular, escrever com a pressão da etiquetadora, forçar cada letra sobre a tira colorida, descolori-la letra a letra. Só se escreve na vigência da letra. E a musculatura deve trabalhar para que se escreva. Só se escreve para que se afirme: “Eu sou a coisa, coisamente”. Para que se afirme que, no fim de tudo: “Eu, etiqueta”. Para que a escrita não denuncie nada, a não ser a destruição das classificações, das categorias, das homenagens, dos preços, da tipografia. A destruição de tudo o que torna escrever possível. Porque só se escrever por tamanha impossibilidade. 

quinto encontro