
Por que aceitara eu um Prémio que tantas vezes fazia sangue, a não ser por desejar criar, com tantos outros, e no espaço de nossa Cultura,
um espaço matinal de contra-sangue?
Amigos,
deixai que assim vos chame a todos, para que sejamos todos, neste momento, simplesmente humanos.
É a nossa narrativa deste instante.
Poderá ter-vos parecido estranho que eu tenha situado os meus textos na área do romance. Mas o romance, antes de ser um género literário definido,
não foi, e não continua a ser,
O nome genérico da narratividade?
Peço-vos que patenteia neste ponto de partida:
nós estamos sempre a contar coisas uns aos outros.
Maria Gabriela Llansol
“Para que o romance não morra”. Lisboaleipzig. Porto: Assírio & Alvim, 2014. pp. 126-127