
Eu tinha perdido de tal forma o controle que comecei a falar tresloucadamente: dizia que, no fundo, uma sombra não era nada mais do que uma sombra, que se podia viver sem ela e que não valia a pena fazer tal alarido por causa disso. Mas eu sentia muito bem a inconsistência daquilo que dizia e assim interrompi meu discurso sem que o chefe florestal se dignasse a dar-me uma resposta. Acrescentei por fim: “o que se perdeu uma vez, pode-se encontrar de novo em outra ocasião.
(CHAMISSO, Adelbert von. A história maravilhosa de Peter Schlemihl. Tradução de Marcus Vinicius Mazzari. São Paulo: Estação Liberdade, 2003. p. 76.)